14 de setembro de 2011

O pai de João de Santo Cristo



Quem ouve atentamente a música Faroeste Caboclo logo percebe que o pai de João de Santo Cristo é determinante no destino do personagem. Toda a revolta pela vida dura e sofrida ganha ainda mais força quando o pai é executado com um tiro de soldado. Esse evento marcaria a trajetória de Santo Cristo para sempre…
Para dar vida a esse personagem tão emblemático o ator Flávio Bauraqui foi chamado “aos 45 do segundo tempo”. O ator diz que quando soube das filmagens de Faroeste Caboclo pensou: “como eu gostaria de fazer esse filme”. No entanto, com o projeto já em fase adiantada imaginou que não teria essa oportunidade. “Mas existem trabalhos que escolhem você”, ensina. “E esse foi um deles”.
Flávio conta que ao chegar ao set e conhecer a equipe, teve a certeza de que o filme seria um sucesso. “Dava para sentir a energia boa que havia entre todos. E a gente sente quando um trabalho vai dar certo”, revela. O ator reencontrou ali seu amigo Fabrício Boliveira e fez outros tantos.
Embora nunca tivesse filmado do nordeste (as cenas de infância de JSC foram realizadas na cidade de Pau Ferro, PE; Em breve post sobre o assunto), o gaúcho Flávio disse que sentiu uma forte sensação de brasilidade. “Havia algo de muito humano ali, uma coisa de gente brasileira mesmo, que o cinema atual está resgatando”, comemora.
Com o preparador de elenco Sérgio Penna, Flávio dividiu a preocupação de entender os “porquês” de Santo Cristo. Como já sabia o que viria a ser o personagem, quis compreender as motivações de Santo Cristo. E isso despertou no ator um forte sentimento de paternidade, que se estendeu para além das câmeras. “Eu fiquei muito apegado aos meninos (os gêmeos Marquito e Tony, que interpretam JSC criança). Tinha aquela coisa de proteger, até mesmo para atravessar a rua, eu cuidava deles, dava a mão”, relembra.
Essa sintonia pode ser sentida nas cenas. Flávio conta que mesmo naquele contexto árido dos personagens, o pai fazia questão de passar valores ao filho. “O pai ensinava ao filho que não podia agir errado, que não podia roubar. Não queria que o filho fosse um ladrão”. Assim como a mãe, o pai também sonhava coisas melhores para o filho.
Ator para todos os formatos, Flávio já fez diversos trabalhos em televisão e teatro. No cinema já fez filmes como Meu nome não é Johnny, Madame Satã, Quincas Berro D´Água, Quase dois irmãos, entre vários outros. Faroeste Caboclo tem um gostinho especial, já que Flávio é fã de Legião e de Renato Russo, que considera um grande “cantador de histórias, de histórias brasileiras”, revela.
Se prefere cinema, teatro ou TV? O ator responde que gosta de bons personagens, venham de onde vierem. “Tive sorte, quase todos os que fiz até hoje eram desse tipo”. Flávio tem agora mais um para a coleção.

Nenhum comentário:

Postar um comentário